Autopeças cobram incentivo do governo

 

Investimento e oportunidade. Essas foram as palavras chaves do seminário Inovar-Auto, realizado ontem na região. O programa lançado pelo governo, em outubro, para elevar a competitividade da indústria automotiva, é uma forma de as autopeças voltarem a crescer e a atender com alta tecnologia as montadoras, por meio da constituição do Inovar-Peças. "O que não podemos é estabelecer um plano de medidas que favoreça apenas o topo da pirâmide (montadoras). A base, onde estão as autopeças, micro e pequenas empresas, precisa ser mais valorizada", defende Fausto Cestari Filho, empresário do ramo e vice-presidente do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo).

O presidente da CNM (Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT) Paulo Cayres, também compartilha da mesma opinião. "O programa dará conta de fomentar as autopeças. Haverá fiscalização. As pequenas empresas precisam apenas de financiamento para inovar suas tecnologias e poder competir em pé de igualdade com o mercado externo. Temos que reverter o saldo: menos importações, mais exportações. O governo vai nos ajudar, e as montadoras terão condições de comprar peças da região. Temos que entender que 50% da mão de obra industrial vêm da pequenas e médias empresas."

É preciso lembrar que as fabricantes brasileiras de autopeças fecharam o ano passado com saldo negativo, indo do lado contrário à indústria automobilística (com crescimento de 4,6% nas vendas de carros zero-quilômetro). Segundo o Sindipeças (Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores), o setor teve queda de 13,5% no faturamento real (descontada a inflação) no ano passado frente a 2011.

Carta entregue ontem pelas entidades públicas, sindicatos e pelo setor privado ao governo, representado pelo assessor especial da Secretaria-Geral da Presidência da República, José Lopez Feijóo, e pela secretária do Desenvolvimento da Produção do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Heloísa Menezes, teve como foco reforçar que as empresas nacionais da cadeira automotiva, em particular as da base da pirâmide, "não têm participado da evolução do mercado de veículos no País". "Elas vêm ano a ano se desestruturando e perdendo fornecimento de peças, componentes, máquinas e ferramentas na produção brasileira de veículos. Um dos resultados é o crescimento do deficit comercial no setor, que em 2012 atingiu US$ 5,7 bilhões".

Para o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Rafael Marques, essa discussão é de extrema importância, já que neste momento o governo federal lança sua agenda estratégica para o setor industrial, com o Inovar-Auto, que oferece benefício fiscal às montadoras que investirem em engenharia e em produção local. "A região, enquanto polo industrial, com todo seu protagonismo ligado à indústria automobilística e ao setor metal mecânico, precisa ter clara sua estratégia para contribuir com o fortalecimento e desenvolvimento industrial do País". Ele lembra que o Grande ABC conta com seis montadoras, que empregam cerca de 45 mil trabalhadores, além de mais de 6.400 empresas no ramo da indústria, que têm 258,7 mil trabalhadores diretos. As montadoras que cumprirem as obrigações do programa conquistarão abatimentos no imposto. As novas regras serão válidas de 2013 a 2017.

O evento foi promovido pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em conjunto com o Consórcio Intermunicipal e a Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC, as prefeituras das sete cidades, o Sindicato de Santo André e os Ciesps da região.

Montadoras aprovam o programa

O presidente da Volkswagen do Brasil, Thomas Schmall, reforçou, durante o debate, que o Brasil é muito jovem e deverá aumentar ainda mais seu público consumidor. "(Hoje) 40% da população não têm carro e sonham com veículo zero-quilômetro. Temos para onde crescer e vamos destinar os investimentos em favor disso. Nós, por exemplo, planejamos investir até 2016 R$ 8,7 bilhões na planta do Brasil."

O vice-presidente da Ford, Rogério Golfarb, completou que o programa Inovar-Auto é um instrumento fundamental para estimular as pesquisas e o desenvolvimento da engenharia automotiva. "A indústria depende dos fornacedores. O programa vai ajudá-los a investir em tecnologia", completou o diretor de relações institucionais da Mercedes Benz, Luiz Carlos Moraes.

O vice-presidente mundial de desenvolvimento de sistemas de componentes de motores do Grupo Mahle, Ricardo Simões de Abreu, reforçou que, além da parceria com montadoras, é necessário preparar os trabalhadores com cursos profissionalizantes. "É um processo total. Precisamos competir de frente com o mercado externo. Temos muito trabalho, não podemos esperar."

 

Fonte: dgabc.com.br